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O PODER DE UM APERTO DE MÃO


Publicado no site da SAL DA TERRA (Extraído)

Betsaida era um pequeno vilarejo a nordeste do mar da Galiléia. Um lugar, talvez, sem muita expressão. No entanto, foi o palco escolhido onde Jesus opera um dos milagres mais pedagógicos da história, ensinando-nos um princípio que, se aplicado hoje, pode iluminar os olhos do nosso entendimento, libertando-nos de toda ignorância.

Handshake on white backgroundAo chegar naquela vila, Jesus é imediatamente abordado pelo povo que lhe trazia um cego. Até então um gesto natural para uma população que já deveria ter ouvido sobre a fama de Jesus “o milagreiro”. O que mais me impressiona neste episódio é como o povo não apenas pede o milagre, mas determina a forma que o milagre deveria ser realizado: “rogaram-lhe que o tocasse”. Via de regra não nos contentamos apenas com o milagre, mas que-remos também que Deus o opere da forma e na hora que mais nos convém. Graças a uma forte convicção de sua identidade e propósito, Jesus não estava ali para aten-der aos apelos manipulativos da multidão, sendo livre para realizar aquele milagre da forma que pedagogicamente poderia ensinar ao cego, a todos que estavam ali e a nós. A questão para Jesus não era apenas trazer a cura física, mas sim utilizar-se do processo que envolveu a cura para ensinar um princípio libertador.

Ciente da real necessidade daquele cego, Jesus o toma pela mão e o conduz para fora da cidade, a sós com ele. Talvez apenas um toque fosse necessário para a cura física, mas para o restabelecimento de uma completa visão, capaz não apenas de discernir as coisas materiais, era necessário um forte aperto de mão e uma condução. A atitude de tomá-lo pelas mãos e conduzi-lo revela um compromisso integral com a pessoa, muito mais do que apenas com a cura. Jesus sabia do significado para um cego de ter alguém que o tomasse pelas mãos e o guiasse pelo caminho.

Hoje, muitas vezes desejamos o milagre para que não precisemos nos envolver com as pessoas. Queremos o paralítico andando para que não tenhamos o trabalho de empurrar a cadeira de rodas. Queremos o cego enxergando para que não tenhamos de assumir o compromisso de mostrar-lhe o caminho. Que-remos o paciente fora do hospital para que não precisemos visitá-lo. Cada vez mais, estamos terceirizando o que não deveríamos terceirizar e gastando horas na-quilo que poderíamos delegar. Filhos estão sendo educados por babás e professores, porque pais não querem o desgaste de tomá-los pelas mãos e conduzi-los em um discipulado de vida. Funcionários estão sendo demitidos pois patrões não querem “perder tempo” em ensinar. Os consultórios psiquiátricos estão cada vez mais cheios, pois amigos não têm mais tempo de se encontrar para compartilhar vida. Maridos entregam suas esposas aos cartões de crédito e esposas entregam seus maridos à pornografia, pois ambos não estão dispostos a dialogar e a prio-rizar o outro.

É tempo de darmos as mãos em um gesto de compromisso com as pessoas. Nosso próximo nunca deveria ter se tornado o meio pelo qual alcançamos outro fim. Pessoas sempre deveriam ser o fim, enquanto que toda metodologia, toda estrutura e todos os métodos deveriam ser o meio. Nossas relações não podem ser resumidas a apenas toques rápidos, mas sim, desenvolvidas em um aperto de mão demorado. O principio que ilumina nossos olhos e nos faz enxergar pessoas como pessoas e não como árvores é o relacionamento sincero e profundo, revelado em um caminhar junto e não apenas nos esbarrões em cada esquina da vida.

Marcos Rocha – pastor conselheiro Ministério Sal da Terra
marcosrocha@saldaterra.org.br

ONDE ESTÁ DEUS NA SUA VIDA?


Publicado na Revista Carta Viva – 2012 – N°18

VISITE O SITE – http://saldaterra.org.br/cartaviva/onde-esta-deus-na-sua-vida/

almofada dia dos namorados 2011Talvez você até leia a bíblia, vá à igreja domingo ou outro e se sinta bem entre os “irmãos”. Talvez você evite “grandes” pecados, seja generoso, tenha uma vida de oração razoável. Talvez você esteja perto de Deus, mas nem por isso, seja íntimo. Acreditar em Deus ou estar envolvido na igreja é uma coisa, amá-lo de verdade, sobre tudo e sobre todos, e manter com Ele uma relação íntima em meio a rotina, relacionamentos e desejos pessoais, é outra! Há uma condição primária para a vida com Deus e essa é: amá-lo em primeiro lugar!


Foi assim: ame a Deus sobre todas as coisas e ao teu próximo como a ti mesmo que Jesus resumiu a espiritualidade daquele que quer caminhar com Ele sendo seu discípulo. Se pudéssemos resumir a bíblia em um twit, seria essa a postagem.

Amar o próximo é uma expres-são muito usada e defen-dida no meio cristão, o que é muito positivo, afinal, amar a Deus é amar aquilo que Ele ama. E Ele ama gente. Isso é fato. Também é fato que não há vida com Deus fora da comu-nhão na i-greja, o lugar on-de o ser humano é curado. No entanto, vemos uma fragilidade na vivência do “amar a Deus sobre todas as coisas”. Acontece que nunca será possível amar verdadeiramente o outro, ou a si mesmo, sem antes amar primeiro a Deus.

Paulo Junior afirma que toda a relação na coletividade, passa por um com-prometimento pessoal com o Criador, reconhecendo-o como Pai e o que Ele já fez por cada homem para que este se torne seu filho: a expressão do amor de Deus por nós foi tornar-nos seus filhos, à seme-lhança de Jesus Cristo. Amar a Deus é ter a certeza de que, sendo filhos, Ele já nos deu tudo o que é necessário para a vida, de forma que todas as nossas necessidades já foram supridas. Dessa forma, o que buscamos sempre é o relacionamento e a intimidade porque estamos certos de que já fomos abençoados em tudo. Renuncio preferên-cias, valores e prioridades porque passo a crer Nele, não pelo o que Ele pode fazer, mas pelo conhecimento e certeza de quem Ele é e do que, certamente, fará, diz o pator.

Mas vemos muitos homens tentando o contrário- amam o irmão, praticam a filantropia, procuram a justiça, pensando que assim estarão kits com Deus. E o que é pior, usam o serviço e o “amor ao próximo” como desculpas por suas faltas diante do Criador. Esforçam-se para encontrar um lugar para Deus em sua agenda, no seu dia a dia, mas o que oferecem são apenas interesses para receber Dele o que querem que Ele faça. No final, estão angustiados ou ofendidos porque se frustram diante do resultado que queriam alcançar e que não foi conquistado.

Para o pastor Ariovaldo Junior isso acontece pela falta de compreensão do que seja amar verdadeiramente: nossa religiosidade procura mandamentos (afinal é mais fácil seguir regras do que fazer uma reflexão de vida diária), mas quando Cristo resume toda a lei e os profetas a amar a Deus e a amar os irmãos, percebemos o quanto muitas vezes não fomos capazes de compreender a profundidade e intensidade deste amor. Como afirmou Noemi, não se reconhece o privilégio de amar aquele que nos livrou da morte, porque muitas vezes se esquece de por quem formos libertos: Amar a Deus perpassa primei-ramente em saber quem é Deus e poste-riormente reconhecê-lo como suficiência em nossa vida. É só assim, reconhecendo Deus como pai e Senhor absoluto sobre tudo que podemos amá-lo.

Paulo Junior fala que há uma crise conceitual do amor que tem levado as pessoas à devoção. Segundo ele, não falta romance, não falta paixão, desejo ou religião… Mas falta compro-metimento, faltam momentos na vida que se perpetuam, falta fé, falta a intimidade com o Pai, falta a capa-cidade de continuar. Dessa forma, quando as pessoas se sentem feridas, elas abandonam Deus, quando as expectativas do que Deus deveria fazer e não fez são vivenciadas, elas abandonam Deus.

Quanto a isso, Luiz Humberto Junior lembra-nos que o amor é abordado por Deus sempre em um contexto de intimidade com Ele, de conhecimento, de convicção e de compromisso, mas que o amor de hoje é tudo isso ao inverso: Não se quer uma relação íntima com Deus, mas que Deus conheça as nossas neces-sidades e desejos. Muitas vezes o que cultivamos não é uma relação consciente e convicta, mas algo fruto da nossa ansiedade em ver os nossos problemas resolvidos. As pessoas querem um relacionamento com Deus no qual não exista um compromisso absoluto, mas apenas conveniente, e por isso superficial. Por isso a religião (no sentido de re-ligação com Deus) hoje é fraca. As pessoas nunca buscaram tanto o sobrenatural, mas ao mesmo tempo elas buscam o Deus que querem, e não o Deus que elas verda-deiramente precisam, pondera ele.

É certo que nada angustia mais o ser humano do que estar perto de Deus e não ser íntimo Dele, do que a sensação de estar “quase lá”, mas nunca alcançar o alvo ou do que perceber do que Ele é capaz, mas não se ter a convicção de quem Ele é e porque faz.

Há uma condição primária para a vida com Deus e essa é: amá-lo em primeiro lugar!Tudo só faz sentido à partir dessa condição. Tudo encontra seu devido lugar à partir do relacio-namento íntimo com o Criador, que agora é reconhecido como Senhor e Pai.

Enquanto não houver consciência do que seja amar a Deus em primeiro lugar, acima das preferências e desejos pessoais ou próprias expectativas individuais do que Deus deveria fazer, não haverá vida com Ele capaz de se perpetuar. Ou Ele está acima de tudo ou Ele não estará em lugar nenhum.

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